segunda-feira, 7 de junho de 2010

ÁFRICA- PARTE 1


Uma pergunta martela a cabeça: o que é a África? Ou mudando o português: o que “são” a África?

Diante de uma questão tão complexa vou buscando resposta para um enigma que talvez a Humanidade ainda leve muitos anos para descobrir. Olho para mim e vejo muito dela, ao mesmo tempo em que tão distante, não posso dizer o quanto dela possuo em mim.

São muitas Áfricas para procurar, estudar. Tento entender, tento saber mais sobre mim mesmo.

É errado falar do continente africano como uma coisa só. São 53 países, quase 1 bilhão de habitantes e milhares de etnias, línguas e dialetos. Diversos tipos de colonizações perversas, brigas étnicas, guerras, guerrilhas, ditaduras. Tudo isso no lugar onde nasceu o Homem.

A imagem da pobreza é a primeira coisa que vem à cabeça quando penso na África. A imagem de pessoas subnutridas corre o mundo e leva o que há de pior aos 4 cantos. É muito pouco, quase nada, é injusto com culturas tão ricas. Porém alarmante.

Não podemos cair no erro de pensar que lá só existem pobres coitados em busca de auxílio, mas a situação atual se deve a séculos de exploração européia, que não por acaso, são a origem da maioria das entidades de ajuda humanitária que se espalham por todo continente. Algo como um pedido de desculpas muito atrasado.

Uma das principais estratégias utilizadas era inflamar o conflito entre etnias para enfraquecê-las e subjugá-las. Os conflitos que vemos hoje, são reflexos disso. Mas não há como tentar solucionar o problema africano pensando nele como uma coisa só. Cada país possui sua particularidade e buscar a união entre povos que se odeiam(sem motivos) por séculos é uma atitude inocente.

O Mundial de futebol na África do Sul é uma oportunidade para que os olhos do mundo enxerguem um pouco das súplicas africanas. A atenção pode gerar bons frutos. Principalmente no país que gerou Nelson Mandela, o homem que passou 27 anos na prisão, para depois assumir a presidência da nação e acabar com o Apartheid.

É ilusório pensar que o Apartheid acabou, mas passos foram dados.

Vou sendo levado de um assunto a outro e percebo o quanto fico motivado a discutir. Preciso de muito ainda. Preciso de mais. Preciso me entender. Entender a mim, à África, o Brasil. Por um elo forte, tudo está ligado. Faço parte dele. Esta é minha diáspora às avessas. O sangue do sofrimento africano corre por minhas veias, mas nelas também trago a energia e alegria que criaram o mundo.

domingo, 6 de junho de 2010

BOLETIM AFROBRASILEIRO


Neste ano de Copa do Mundo e eleições, o Boletim Afrocarioca não poderia se abster. Esses assuntos que tomam conta da vida do brasileiro de 4 em 4 anos estarão aqui presentes. Desta forma, nos tornamos o "Boletim Afrobrasileiro".
Na próxima sexta(11 de junho) a Copa do Mundo da África do Sul dará seu pontapé inicial. E aqui no nosso blog teremos a oportunidade de debatermos diversos assuntos em relação a futebol, geo-política e diversão. Ánalise dos jogos, dos adversários, assuntos africanos, tudo através da liguagem que estamos acostumados aqui no Afrocarioca.
Espero poder contar com a colaboração e comentários de vocês.
Abraço,

Ernesto Xavier

quinta-feira, 27 de maio de 2010

CADÊ?


“Onde foi parar tudo?”

Acordei com essa frase, que de alguma forma tentava me dizer algo.

Tudo parece ter sumido e não sei por onde começar a procurar.

Onde foram parar os anos perdidos?

E os sorrisos que dei? Já deixaram a boca, a face, o dia, menos a lembrança.

Onde estarão meus amores? Nem sei se os tive. Já que estou questionando, então é por que nada foi amor. Foi outra coisa sem palavras para descrever. Paixão, talvez. Amor nunca.

Onde estará o fogo? A brisa que batia leve sobre a pele ressecada pelo sal da praia, onde estará?

Por onde caminham meus ídolos? Seres que nasceram para servir de exemplo, para me dar alento, para me fazer sentir significante e significado.

Perdi as coisas ou elas que se perderam de mim? Perdemo-nos todos, em meio a visões turvas, embaçadas pelo calor do inferno terreno.

Colírios de todos os tipos ainda não foram suficientes para me fazer enxergar. Onde foi parar tudo?

Onde fui parar? Eu mesmo, neste caminho tortuoso, sem mapa, gps, sinais ou simplesmente migalhas de pão a demarcar o caminho percorrido. Nada.

Onde parei? E por que parei? Quero prosseguir. Parar não é meu forte. Nasci para o movimento, para a luta.

Ao ficar parado, todo o resto foi se afastando de mim. Não me perdi, pois nunca soube onde estava. Porém agora, ao ver que por um tempo perdi aquilo que quero, resolvi descobrir o paradeiro. De quê? De tudo. Das palavras, das emoções, do brilho no olhar, do sorriso e do sangue quente correndo neste peito pulsante.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

CICLOS


Que a vida possa ainda estar recheadas de suas surpresas. E que os ciclos que ainda estão por vir, nos tragam bons momentos, que depois serão apenas saudade. E é disso que é feito a vida: de momentos vividos e as lembranças que eles trazem.

No final de tudo, chegamos a conclusão de que a vida só faz sentido quando vivemos para construir e cultivar boas relações pessoais.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

COMBATA


Tudo que falo ou penso sobre mim pode ser nada mais do que um parâmetro que criei de um ser fictício, que talvez esteja a léguas dessa realidade que ao mundo se apresenta. Sou a mentira de minha própria história. Um ser que não habita minha vida. Alguém desconhecido aos meus olhos. De quase nada posso ter certeza, muito menos do que sou, do que penso, do que sinto. Nada é de verdade. Vivemos de acordo com regras que estabelecemos para uma vida tranquila, quando na verdade abominamos estas regras e queremos o rompimento de tudo que se mostra certo e sereno. Queremos o erro, buscamos o caos, porém aceitamos o nada como consolo. Tratamos tudo como se o amanhã trouxesse algo melhor, que irá nos tirar do marasmo ou do inferno.

Viva seu inferno de forma intensa. Busque ser feliz mesmo na derrota. Seja breve, mas firme! Diga ao menos uma vez que viveu. Não pense que a aposentadoria algum dia irá te trazer a paz tão desejada. Essa paz pode vir muito antes disso e talvez bem diferente do que você imaginava. Aguarde o momento certo, mas não ache que saberá quando ele chegar. Ele chega e você simplesmente deverá estar pronto para aproveitá-lo. A vida é assim: a oportunidade vem de repente e vai embora da mesma forma. Tudo na vida é breve e como já disse: seja firme!

Note que as coisas que nos pareciam essenciais ontem, hoje são apenas piadas de um passado remoto. Então pense que suas prioridades de hoje também podem ter o mesmo destino. Avalie com mais cautela o que julgas se primordial.

Combata a ansiedade como a um tumor. Tenha força para extraí-lo de si. Sinta o vazio que isso vai te deixar e pense nisso como um peso que não te pertence e que só servia para atormentar momentos de retidão e serenidade.

A vida é menos complicada do que imaginamos e exatamente por isso a tornamos complexa. É tão difícil entender a simplicidade humana, que para isso criaram a psicanálise. Portanto não se sinta o ser mais difícil do mundo.

Estamos todos longe de um consenso a respeito da explicação da existência do ser humano. Pode ser que a resposta esteja em não existir porquê. Tudo é por que é. Aceitemos desta forma. Assim é a vida: um mar de incertezas, onde nadamos sem saber para onde, por que e para quê. Onde o infinito de possibilidades nos angustia, porém traz sempre a esperança de um recomeço, para onde vamos ser felizes e completos.


Obs.Mais um texto dos antigos arquivos.

Imagem: KLIMT, Gustav.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

LABIRINTO


Perco-me facilmente dentro de meus próprios labirintos. Aqueles que criei para salvar a vida de uma linearidade angustiante. Agora procuro saídas complexas para caminhos simples. Cercado por paredes desconhecidas que me sufocam dentro de mim mesmo. Já não sei onde estou e para onde quero ir. Não sei se o que mais importa é o caminho ou o destino. Tento traçar planos, estratégias para fugir daquilo que é meu acompanhante e guia: o destino. Seria ele já traçado antes dos fatos?

Um facho de luz vem tocar a pele e assim faz acordar a dormência de minha alma. Uma alma frágil que carrega um corpo forte. Aos poucos o clima nublado de dias pesados vão se esvaindo e dando lugar ao esclarecimento. Mas ainda me encontro perdido dentro do labirinto. Ele faz parte de um realidade surreal, da flacidez de um espírito sólido. O mapa dessa história só será desenhado em remotas lembranças no futuro. A nostalgia irá informar quem fui. Só ela saberá de meus pesadelos, só ela cuidará dos meus pensamentos.

Um dia serei apenas saudade e histórias. O que tiver de mim espalhado por essa cidade serão apenas fragmentos do que fui realmente. Pelos olhos de uns o bem-feitor de histórias picantes, para outros o indiferente a tudo que o cercava. Nada poderá dizer com exatidão de detalhes aquilo que realmente fui e passei. Serei visto como um quebra-cabeças com peças faltando, até que o dia em que mais nada restará por contar. Estarei fadado ao esquecimento? Antes preciso achar a saída do labirinto. Para depois me perder novamente em outros caminhos tortuosos.


foto: SALGADO, Sebastião.

terça-feira, 27 de abril de 2010

DESPRETENSIOSO


Às vezes é bom ficar sozinho. Apesar de ter um sentido ambíguo, na verdade falo desta palavra em todos os seus sentidos. O agito das presenças em nossas vidas não nos permitem a reflexão. É necessária a ausência. A ausência do tudo associada ao preenchimento calmo e leve do nada.

Se permitir a despretensão. Poder apreciar o vazio daquilo que foi feito para ser simples, dando oportunidade para uma felicidade peculiar: a da auto-apreciação. Se divertir consigo. Tendo a companhia de um livro, filme, revista ou apenas o som contínuo do ventilador de teto. São prazeres insuperáveis da vida a “um”.

Gosto de caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro e observar tipos, inventar histórias a partir de rostos novos. Imaginar o que se passa na cabeça de um estranho sem ter que manter contato com ele. A doce descoberta da imaginação.

O Rio é a cidade que nos permite chegar a estes pontos. Imaginar. Criar. Refletir. Concluir. Admirar, sorrir e seguir em frente. Saber que estamos no ponto mais belo do mundo e tratar isto como a coisa mais normal que existe. É normal ser carioca. É normal ser feliz sem saber porque andando pelo Rio de Janeiro. Estar envolto pelo belo nos traz bons fluídos. Por isso caminho sozinho, sem querer ser incomodado. Quero ter o egoísmo de guardar estes momentos só para mim. São meus momentos.

Sou capaz de perder um ônibus só porque vi alguém conhecido nele e não quero conversar com alguém. Permito-me o luxo de viajar só e desfrutar de pensamentos meus...pensamentos são individuais. Não nasceram para serem compartilhados simultaneamente. Só transmitimos aquilo que fica na superfície oca das palavras. A complexidade dos sentidos de nossos pensamentos ficam guardados para nós. Então me canso por ter que trocar superficialidades. Prefiro me omitir. Trivialidades me cansam.

Depois, inevitavelmente, as pessoas voltam a nossas vidas. Mas já estamos renovados. Tirar férias da raça humana faz bem à saúde.


(Texto antigo que recuperei)

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